Neste guia, a Visa Finder explica o que cada modalidade permite, quem se qualifica e como é feito o pedido.
O que é o visto B-1 comum?
O B-1 é o visto de negócios. Ele permite reuniões, negociações, participação em conferências, visitas a clientes e atividades parecidas. Em regra, o visitante B-1 não pode realizar trabalho produtivo, ou seja, serviços que beneficiem diretamente uma empresa americana.
As duas modalidades tratadas aqui são exceções previstas no Foreign Affairs Manual (FAM), o manual que orienta os consulados americanos. Não são categorias de visto separadas. São usos específicos do B-1, com regras próprias.
O que é o B-1 para trabalhadores comerciais e industriais?
O FAM permite que técnicos estrangeiros venham aos EUA para instalar, fazer manutenção ou consertar equipamentos e máquinas comerciais ou industriais comprados de uma empresa fora dos EUA. Também cobre o treinamento de trabalhadores americanos para executar esses serviços.
Um exemplo típico: uma fábrica americana compra uma máquina de um fabricante europeu. O contrato prevê que o fabricante envie um técnico para instalar o equipamento e treinar a equipe local. Esse técnico pode entrar como B-1.
Programadores de PLC e robótica: por que o industrial worker é tão usado?
A automação industrial é hoje um dos setores que mais usam essa modalidade. Fabricantes e integradores de fora dos EUA vendem células robotizadas, linhas de montagem, sistemas de embalagem e máquinas automatizadas para fábricas americanas. Esses equipamentos raramente funcionam ao sair da caixa. Alguém precisa programar o PLC, configurar a IHM, ensinar as trajetórias do robô, integrar sensores e sistemas de segurança e acompanhar a partida da linha.
Quando esse profissional é enviado pela empresa estrangeira que vendeu o equipamento, e o contrato de venda prevê esses serviços, a atividade se encaixa na lógica do industrial worker. Programar e comissionar o robô comprado é, na prática, parte da instalação e da colocação em funcionamento do equipamento.
As atividades que costumam se enquadrar incluem:
• programação e ajuste de PLCs e IHMs do equipamento vendido;
• programação e teach de robôs industriais que fazem parte do fornecimento;
• comissionamento, start-up e testes de aceitação no local (SAT);
• ajustes após a partida e atendimento em garantia;
• manutenção e correção de falhas do sistema fornecido;
• treinamento de operadores e da equipe de manutenção da fábrica americana.
O ponto de atenção é o limite da atividade. O industrial worker cobre o trabalho ligado ao equipamento comprado de empresa estrangeira. Desenvolver sistemas novos para a fábrica americana, reprogramar equipamentos comprados de outro fornecedor ou prestar serviço contínuo de programação para uma empresa nos EUA foge dessa hipótese. Nesses casos, pode ser necessário outro visto, como H-1B, L-1 ou O-1.
Outro ponto: o profissional deve estar ligado à empresa vendedora, seja como empregado, seja por uma relação que o contrato cubra de forma clara. Arranjos com várias camadas de subcontratação aumentam o risco na entrevista e na chegada.
Quais são os requisitos do B-1 para trabalhador industrial?
• Contrato de venda com cláusula de serviço. O contrato de compra deve exigir expressamente que o vendedor preste os serviços de instalação, manutenção, reparo ou treinamento. Para automação, é útil que o contrato mencione de forma específica programação, comissionamento e start-up.
• Conhecimento especializado. O técnico precisa ter conhecimento específico e indispensável para a tarefa, como domínio da plataforma de PLC ou do robô utilizado.
• Equipamento de origem estrangeira. O bem deve ter sido comprado de empresa localizada fora dos EUA.
• Pagamento pelo empregador estrangeiro. Como em qualquer B-1, o técnico não recebe remuneração de fonte americana, apenas reembolso de despesas.
• Sem obras de construção. Trabalhos de construção civil, no local ou dentro da fábrica, ficam de fora. A exceção é a supervisão ou o treinamento de outros trabalhadores que executarão a obra.
O que é o B-1 in lieu of H-1B?
É uma modalidade híbrida. Ela reconhece que, em algumas situações, um profissional que se qualificaria para o H-1B pode ser classificado como B-1, desde que venha aos EUA temporariamente para exercer funções ligadas ao seu emprego no exterior.
Na prática, o profissional realiza nos EUA um trabalho de nível H-1B (ou seja, que exige formação superior), mas continua empregado e pago pela empresa estrangeira. Engenharia, ciências, medicina e educação são áreas que costumam se encaixar.
Para engenheiros de automação com formação superior, essa modalidade pode ser uma alternativa quando o projeto não está ligado à venda de um equipamento específico, mas exige trabalho técnico de nível profissional por um período curto.
Quais são os requisitos do B-1 in lieu of H-1B?
O consulado analisa se o candidato comprova, em conjunto, os seguintes pontos:
• Estadia curta. O trabalho nos EUA dura pouco tempo, geralmente até 6 meses, e depois o profissional volta a trabalhar para o empregador no exterior.
• Qualificação de H-1B. A função exige pelo menos bacharelado em área específica, e o candidato tem esse diploma ou formação equivalente.
• Nenhum pagamento de fonte americana. O profissional não pode receber salário ou remuneração dos EUA, exceto reembolso de despesas da viagem.
• Folha de pagamento no exterior. O salário é pago por empregador estrangeiro, com distribuição da folha fora dos EUA.
• Requisitos gerais do visto B. A estadia deve ser temporária, sem intenção de imigrar, e o profissional não pode procurar emprego no mercado americano.
Quais as vantagens em relação ao H-1B?
O pedido é feito diretamente no consulado, sem petição ao USCIS. Não há sorteio, não há cota anual e não há necessidade de LCA (Labor Condition Application) junto ao Departamento do Trabalho. Para uma empresa estrangeira que precisa enviar um especialista por algumas semanas ou meses, isso reduz tempo e custo.
Quais são os riscos do B-1 in lieu of H-1B?
A modalidade é pouco conhecida e aplicada de forma desigual. Por isso, vale pesquisar antes se o consulado em questão aceita esse tipo de pedido e quais exigências adicionais ele faz.
Há também atenção política ao tema. O governo americano não divulga dados sobre quantas autorizações B-1 in lieu of H-1B são concedidas, e sindicatos criticam a modalidade como forma de contornar as regras do H-1B. Um projeto de lei apresentado em 2025, o H-1B and L-1 Visa Reform Act, propõe eliminar o B-1 in lieu of H-1B. Até a data desta análise, a proposta não havia virado lei, mas o cenário pode mudar.
Em qualquer das duas modalidades, o oficial da CBP pode fazer perguntas detalhadas na chegada. Respostas inconsistentes sobre quem paga o salário ou sobre a natureza do trabalho são o motivo mais comum de problemas.
Como as modalidades se comparam?
| Critério | B-1 trabalhador industrial | B-1 in lieu of H-1B | H-1B |
| Tipo de atividade | Instalação, programação, comissionamento, manutenção, reparo ou treinamento em equipamento comprado do exterior | Trabalho profissional de nível superior | Trabalho profissional de nível superior |
| Perfil comum | Técnicos e programadores de PLC e robótica | Engenheiros e profissionais com diploma | Profissionais contratados por empresa americana |
| Formação exigida | Conhecimento especializado no equipamento | Bacharelado ou equivalente | Bacharelado ou equivalente |
| Quem paga | Empregador estrangeiro (vendedor) | Empregador estrangeiro | Empregador americano |
| Petição ao USCIS | Não | Não | Sim |
| Sorteio ou cota | Não | Não | Sim, na maioria dos casos |
| Onde aplicar | Consulado | Consulado | USCIS e depois consulado |
| Duração típica | Tempo necessário para o serviço | Até 6 meses | Até 3 anos, renováveis |
Como funciona a aplicação?
O processo segue o rito do visto B-1, com documentação reforçada.
1. Preencher o DS-160, indicando com clareza o propósito da viagem.
2. Pagar a taxa consular MRV de US$ 185.
3. Agendar a entrevista no consulado.
4. Reunir a documentação específica da modalidade (veja abaixo).
5. Comparecer à entrevista e explicar de forma objetiva a atividade, a duração e quem paga o salário.
6. Pagar a Visa Integrity Fee de US$ 250 se o visto for aprovado, nos consulados que já fazem a cobrança. A implementação dessa taxa tem sido desigual entre os consulados.
7. Conferir a anotação no visto. No B-1 in lieu of H-1B, o visto costuma trazer uma anotação indicando a modalidade. Se ela não aparecer, é importante saber como explicar a situação na chegada.
Valores analisados em setembro de 2026.
Quais documentos costumam ser pedidos?
Para o B-1 trabalhador industrial (incluindo programadores de PLC e robótica):
• cópia do contrato de compra ou pedido com a cláusula que exige os serviços do vendedor, de preferência mencionando programação, comissionamento, start-up e treinamento;
• lista ou descrição técnica do equipamento vendido (linha, célula robotizada, máquina);
• carta do empregador estrangeiro descrevendo o serviço, o local, a duração prevista e a relação com o equipamento fornecido;
• comprovação do conhecimento especializado, como certificações de fabricantes de PLC e robôs, treinamentos, histórico de projetos e tempo de experiência;
• comprovantes de vínculo e pagamento pelo empregador estrangeiro, como contrato de trabalho e holerites;
• carta da empresa americana compradora confirmando a visita técnica e o cronograma;
• itinerário e comprovante de retorno.
Para o B-1 in lieu of H-1B:
• carta do empregador estrangeiro descrevendo a atividade nos EUA, a duração, as qualificações do profissional, a fonte do salário e o tratamento das despesas;
• diploma e histórico, com avaliação de equivalência se a formação for estrangeira;
• comprovantes de vínculo e de pagamento pelo empregador no exterior;
• carta da empresa ou cliente nos EUA, quando houver, confirmando a natureza temporária do projeto;
• itinerário e comprovante de retorno.
Quem tem ESTA pode usar essas modalidades?
Em muitos casos, sim, porque o ESTA cobre atividades de negócios do tipo B. Quem se qualifica para o Visa Waiver Program pode, em tese, se qualificar também para o B-1 in lieu of H-1B. Mas entrar pelo ESTA significa não ter a análise prévia do consulado nem a anotação no visto, e a decisão fica inteiramente com o oficial da CBP na chegada.
Para técnicos de automação que fazem viagens frequentes ou projetos longos, o visto B-1 emitido pelo consulado costuma ser o caminho mais seguro. O ESTA tem limitações rígidas: máximo de 90 dias, sem extensão e sem mudança de status. Um comissionamento que atrasa pode facilmente ultrapassar esse prazo.
Perguntas frequentes sobre B-1 industrial worker e B-1 in lieu of H-1B
1. O que é o B-1 para trabalhador industrial?
É a permissão para técnicos estrangeiros instalarem, consertarem, fazerem manutenção ou treinarem equipes americanas em equipamentos comprados de empresa estrangeira.
2. Programador de PLC pode usar o B-1 industrial worker?
Sim, quando vem programar e comissionar equipamento vendido por empresa estrangeira, com contrato que preveja esses serviços. É uma das categorias mais usadas por programadores de PLC e técnicos de robótica.
3. Posso programar robôs em uma fábrica americana com visto B-1?
Pode, se os robôs fazem parte do equipamento comprado da empresa estrangeira que o enviou e o contrato exige a programação ou o comissionamento. Programar sistemas de outro fornecedor ou prestar serviço contínuo à fábrica exige outro tipo de visto.
4. O contrato de venda precisa mencionar programação?
Precisa exigir expressamente os serviços do vendedor. Mencionar programação, comissionamento, start-up e treinamento de forma específica deixa o enquadramento mais claro para o consulado e para a CBP.
5. Quais documentos provam meu conhecimento especializado?
Certificações de fabricantes de PLC e robôs, treinamentos, histórico de projetos semelhantes e carta do empregador detalhando sua experiência.
6. Qualquer equipamento se qualifica?
Deve ser equipamento ou maquinário comercial ou industrial comprado de empresa fora dos EUA, com contrato que exija os serviços do vendedor.
7. Posso trabalhar em obra de construção com esse visto?
Não. Construção civil está excluída. É permitido apenas supervisionar ou treinar os trabalhadores que farão a obra.
8. O que é o B-1 in lieu of H-1B?
É uma modalidade do visto B-1 que permite a um profissional de nível superior realizar trabalho temporário nos EUA, desde que continue empregado e pago por empresa estrangeira.
9. Preciso de petição do USCIS?
Não, em nenhuma das duas modalidades. O pedido é feito diretamente no consulado.
10. Quanto tempo posso ficar com o B-1 in lieu of H-1B?
Em geral, até 6 meses por entrada.
11. Posso receber salário de uma empresa americana?
Não. O salário deve vir do empregador estrangeiro. A empresa americana pode, no máximo, reembolsar despesas da viagem, como hospedagem e transporte.
12. Todo consulado aceita o B-1 in lieu of H-1B?
Não de forma uniforme. A aceitação varia, e alguns consulados impõem exigências próprias.
13. O B-1 in lieu of H-1B vai acabar?
Um projeto de lei de 2025 propõe eliminá-lo, mas até setembro de 2026 a proposta não havia sido aprovada. A modalidade segue prevista no manual consular.
14. Quanto custa o visto B-1?
A taxa MRV é de US$ 185. Onde já cobrada, a Visa Integrity Fee de US$ 250 é paga se o visto for aprovado. Valores analisados em setembro de 2026.
15. Posso entrar pelo ESTA para programar equipamentos?
Em muitos casos, sim, mas sem análise prévia do consulado e com limite de 90 dias, sem extensão. Para comissionamentos longos ou sujeitos a atraso, o visto B-1 é mais seguro.
16. O que o oficial da CBP pode perguntar na chegada?
Quem paga o salário, qual equipamento você vai programar ou instalar, de quem ele foi comprado, quanto tempo vai durar e quando você volta. Leve o contrato e a carta do empregador na bagagem de mão.
17. Qual a diferença entre B-1 e H-1B?
No H-1B, o empregador é americano, há petição ao USCIS, sorteio na maioria dos casos e permanência de até 3 anos renováveis. No B-1, o empregador é estrangeiro, não há petição e a estadia é curta.
18. Qual modalidade é a certa para minha empresa?
Depende do tipo de atividade, da origem do equipamento, da duração, de quem paga e da formação do profissional. Em alguns casos, o L-1, o H-1B ou o O-1 será mais adequado.




